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Debaixo da Couraça

Debaixo da Couraça O inferno flamejante, O vale de sombras sem morte.
Satã Joga seus dados E para uma alma com as chagas de Jó, Os sinos já não tocam.
Um olhar pro céu Procurando o sinal E a voz que declara vitória.
Enquanto os quatro cantos da terra, Não chamarem o meu corpo, Empunho a espada, Levanto o escudo, Dos fiéis de Éfeso.

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Vesúvio

Lava, pé Ante pé, Lava, pé, Ante pé, Vulcão!
Pé ante pé a correr E Freud, cadê? Cadê Salomão, E Roterdã?
Quem vai explicar Quando meus caros Vieram a habitar Minha pompéia particular?
E quando meu Vesúvio, Se tornou esse grotesco big bang, Que deu início ao meu mundo, Cheio de múmias… múmias… múmias…


Discórdia

“Discórdia, por quê vestes a túnica da Paz?” “Vendo-te em tão alvas vestes eu quase lhe confiro crédito, Mas, veja, a Paz ainda está ausente!”
Eis que entra a Verdade: “Discórdia! Aí estás, como pôde ser tão vil!” Ergo meus olhos contemplando a Verdade: “Liberte-nos!”
“Discórdia apunhalou a Paz com ajuda da Falsídia, Não titubeou em trajar suas vestes E desfila diante de nós!” “Quer que tomemos uma pela outra.”
“Eia, chamemos nossa rainha, Razão” Eis que Razão sentencia a Discórdia A ser decapitada em praça pública
Sob a luz da lamparina da Verdade.


Hail Hiena

A garbosa Hiena traja-se da túnica amarela, Lambusada porém, de sua ofidiosa saliva, Que desesperadas apegam-se ao pano Para não caírem ao chão ante uma ou outra gargalhada em meio aos gracejos da zombeteira.
As palavras já caíram ao chão, porém, Suas cabeças deslevalas de capacete, Já ofereceram traumas que certos crânios, Jamais esquecerão.
O gringo, gringou!! Não para de gritar!! Hiena, to the left! Hiena, to the left! Hail Hiena! E o público, sem juízo, regozija! Mas, convenhamos, qualquer um que tenha juízo, Se afasta de quem fala cuspindo e gargalhando.


Desce o Martelo

Bate o martelo! Oh, juiz implacável! Célere em sua condenação.

“Todo cidadão Tenha postura Vistam-se impecáveis No meu tribunal”

É a camisa amassada - desce o martelo! A gola não engomada - desce o martelo! É a meia descombinada - desce o martelo! É a saia estampada - desce o martelo!

O juiz orgulhoso, Do alto da sua arrogância, A todos condena, Mas, não dá-se conta De sua nudez.


O Oráculo de Betsaida

O Oráculo de Betsaida
Pelos olhos de avidya tudo vê.

Em terra de maya,
Quem tem Olho de Shiva
É rajá em seu ahamkara.

Dias de Tártaro

Em dias de tártaro, Cerberus rosna diante de mim, O coturno de Hades Pesa sobre minha garganta.
Erínias com seus grasnos Vêm punir-me, Em vão procuro a razão.
As razões estão sob poder de Dionísio, E se em meus arcanos Encontro a morte, O que hei de reclamar?


No Museion

Adentro ao Museion trazendo flores, Em súplica às filhas de Mnemósine, Para fazer girar a roda do meu pensamento.
À Polímnia, Faça tinto os papéis do Egito, Que são hoje palavras Que habitam os céus.
Vós que haveis inspirado, À Homero, À Virgílio, À Dante, Inspirei também a mim, Que esse hino entoo.